9 de setembro de 2011

O Trem - Poema
Rogerio Miranda00:04 3 comentários

O sol se pôs como de costume,
Mas dessa vez havia algo estranho no ar,
Algo que deixa um gosto amargo,
uma espécie de azedume.
O teu nome
em meus ouvidos continuava a badalar,
Mas eu já sabia que teu mundo era o das estrelas
Pois, tua grandeza já não mais cabia por cá.

Triste é o adeus,
Triste é o adeus que não se quer dar.

O escuro de repente tudo tomou,
Apagando minhas memórias,
Tentando arrancar cada grãozinho de alegria,
E quando menos se esperava
- um atendimento às minhas preces - você retornou.
“Mas o que é toda essa luz que de ti irradia?”

E você olhou e sorriu pra mim...
                         
                        ...
                    
Interpretei como algo do tipo
“estou bem,
E por favor, não chores mais...”

Teu semblante me iluminou,
E libertou do pesar que me fazia definhar.
Tuas mãos quentes e macias,
Teu doce cheirinho de bebê com sutilezas de anjo,
Meu anjinho
Agora entre os anjos está a caminhar.

5 de junho de 2011

Versos para esfinges
Rogerio Miranda03:30 0 comentários

Do céu
As gotas caem
E formam poças de lágrimas.
Em meu peito abriu-se uma nova chaga

O véu
Da pureza se foi
E quando olho para os lados
Enxergo simplesmente o nada

Para onde devo caminhar?

Preparo-me, então, para minha dolorosa
Despedida com o ontem,

Mas não há por que desesperar.
Pois é, o relógio está nesse momento a me martelar
Já que enfim é chegada à hora.
Bom, todos temos de um dia criar asas
E sem pestanejar, e sem se amedrontar um dia voar

Agora que o véu se foi
Enxergo todos no retrovisor
Meu amigo, meu colega, meu irmão.
Todos estão em meu retrovisor
Triste é, eu sei.
Sim, sei também o que disse
Vejo que tinha razão
Agora vejo que todos se vão.

23 de maio de 2011

O Caminhante Solitário I
Rogerio Miranda01:02 3 comentários


Acho o local apropriado, aqui estou eu.
Observo calmamente eles se olharem, se matarem,
Se odiarem e até mesmo os vejo acreditarem no amor.
O que há disso, daquilo, o que há de dor
Há e só há dor

 Amor
Dor


Meras palavras?
Meros sentimentos?

Sinceramente, acredito que realmente só descobrirei
Quando por fim, eu enfim tiver de deixar o viver
Encontrar a luz que surge no túnel e então encontrar o morrer.

O Caminhante Solitário, assim estou eu.
Por pouco tempo (?), por mundo todo (?).

Todos o observam,
Aproximam-se, mas não o entendem.
O Caminhante talvez tenha vindo para ser o Caminhante,
E talvez não tenha percebido que sua função é ser apenas o Caminhante
Aquele que apenas vem para vir,
Amor, ódio, compreensão
Nada disso há, dele, diante
Nada disso há dele ser

Ilusões mostram-se sentimentos,
Ilusões a ele mostram-se frustrações.

Agora irei correr à procura da canção do vento,
E a talvez assim eu esqueça que sou o Caminhante nessa Estação.

21 de abril de 2011

José, mais um trabalhador
Rogerio Miranda23:46 4 comentários


E mais um dia de trabalho se foi.
José Pedro, este era o nome do trabalhador,
Às 4:00 da “madruga”, este era teu horário;
Pobre senhor.
Diversas conduções e uma infinidade de dificuldades.
Agora entendo o que meus pais diziam sobre  realidade.

As palavras embaralham sua mente,
Não formam nada, nada descente
O troco
José no trocador tem que confiar,
Afinal ele é só um “pião” e não uma máquina de calcular.
Intriguei-me e então a ele fui perguntar:
- José, porque não sabes ler? Nunca te inquietastes com o estudar?
Nunca preocupou-te o calcular?
E triste,
Com dor e espanto, José com lágrimas em seus olhos
Passou a me fitar.
-Garoto, esqueça este velho bronco e solitário
E de tua vida vá cuidar!

As palavras do velho me atingiram,
Corroeram e me doeram de maneira perturbadora,
Mas já era tarde, José Pedro já estava
A perambular por bandas outras

As palavras até hoje me faltam ao ver José constrangido
Em sua jornada solitária pelo mundo,
Onde um real tem mais valor que o sorriso duma criança,
Onde a cada dia estamos cada vez mais próximos da morte da esperança.

José é só mais um do mesmo,
José sou eu, você, todos nós somos ele
Que verdade, que liberdade, que destino é este?
Assim vejo: estamos a andar nesta estrada a esmo.

14 de abril de 2011

Devaneios e resquícios
Rogerio Miranda12:33 2 comentários


Recordo-me de nossos sete anos de idade,
Olhávamos com amor.
Dois que eram somente um
Um que era muito mais que dois

Sentados embaixo dos arbustos
Que nos cediam sombra

Eu olhei para você,
Você estava a fitar-me
Logo em seguida você sorriu pra mim
Agora estava eu a fitar-lhe
E assim escrevíamos nossos destinos

Nossos sonhos, nossos olhares,
Falaram por nós,
Nossas bocas, nossas vozes,
Num instante ficaram sós

Adeus amor,
 Agora cresço sem ti!
Enfim o adeus.
Agora sinto que posso partir!